Bedeu Fernandes
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Bedeu Fernandes - 17 de Outubro de 2011 às 10:28h
Números contrastantes
Os números do Criciúma nesse brasileiro são simplesmente inexplicáveis. Nos jogos em casa o tigre tem a segunda melhor campanha vencendo 10 jogos, 4 empates e apenas 1 derrota, 23 gols a favor e apenas 8 contra, 34 pontos, 1 ponto atrás do Náutico, time de melhor campanha em casa.
Em contra partida, jogando fora do majestoso, o Criciúma conseguiu apenas 2 vitórias, 4 empates e 9 derrotas, fez 11 gols e sofreu 25, fazendo apenas 10 pontos longe do seu torcedor.
Diante desse quadro, dizer que o time é de todo ruim não condiz com a realidade dos números acima relatados. Deduz-se então que, em função da disparidade de comportamento, e, em consequência disso os números conseguidos, que o time estava sendo mal dirigido pelos treinadores anteriores.
Nenhum time de futebol joga dessa forma demonstrando acréscimo ou queda de produção de uma hora para outra. O que fica patenteado e, a meu ver, de forma incontestável, é que os treinadores quando saiam de Criciúma, ativavam fortemente o freio de mão e impediam os jogadores de terem a mesma postura demonstrada quando dos jogos em casa.
Se a melhor defesa......
É o ataque, por que então não priorizar um trabalho de posicionamento idêntico entre uma partida em casa e a outra fora dos seus domínios? A desculpa seria a de que a cultura do futebol brasileiro contraria esse tipo de comportamento? Não se deve atacar o inimigo fora de casa e sim buscar primeiro um empate e depois, caso seja possível, uma vitória?
Isso é obra dos medrosos, dos que copiam tudo, que não têm espírito inovador, que têm medo de arriscar, que não têm coragem para tentar quebrar esse tabu danado. Profissional que confia no seu “taco” parte para ideias inovadoras, que contrariem a normalidade, que provoquem um frisson danado no seu grupo e que conseguem resultados espetaculares.
Dependentes
O futebol brasileiro continua sua trajetória de dependência obrigatória de nomes consagrados e que já se aposentaram. Falo de Romário, Pelé, Rivelino, Tostão, Jairzinho, e, claro, o fenômeno, Ronaldo e muitos outros.
Estamos sem referência no momento. Nossa maior estrela ainda carece de afirmação, o Neymar. É jovem, habilidoso, tem potencial, mas, precisa comprovar para si mesmo que terá capacidade para se afirmar lá fora, no mercado europeu, onde o jogador mediano não sobrevive.
Personalidade
É o que precisa ter uma equipe quando se fala em trabalho coletivo. Não se pode levar em consideração o tamanho do adversário, a cor, a cara feia, a torcida etc. etc. etc. Para falar isso busco como exemplo uma história vivida por mim no ano de 1994, em Forquilhinha, quando treinador da equipe de Futebol de Salão, num campeonato catarinense da modalidade.
A equipe que tinha o Anderson Aléssio como Pivô, Edmilson Morona como Goleiro, Keka, Douglas e Doca, de Tubarão na equipe, teve uma campanha simplesmente espetacular, nunca vista num campeonato estadual. Foi campeã invicta com o melhor ataque, melhor defesa, artilheiro etc.
As vitórias aconteciam no Ginásio de Forquilhinha e também na casa dos adversários. O Título veio num jogo emocionante, na prorrogação, em Lages, por um placar estonteante de 6 x 5, no Golden gol.
A campanha mostrava coragem, uma equipe com personalidade, confiança, união de grupo, determinação e uma garra de causar inveja. Foi uma vitória do esporte como um todo.